❈ Síntese Reflexiva das Aprendizagens 

A reflexão, seja no âmbito teórico ou no âmbito prático, constitui uma ferramenta indispensável para o processo de ensino-aprendizagem em enfermagem. A partir desta, os estudantes de enfermagem e enfermeiros têm a oportunidade de aprimorar as suas competências no raciocínio clínico e na tomada de decisão, promovendo uma prática mais fundamentada e eficaz.

De acordo com Peixoto e Peixoto (2016) e Bringle (referenciado por Al-Momani & Momania, 2013) a reflexão é descrita como um processo no qual estudantes e enfermeiros processam e sintetizam informações a partir de suas práticas, permitindo-lhes aprender com as experiências pessoais, melhorando o desempenho. Além disso, Carr (referenciado por Ip et al., 2012) e Chong (referenciado por Caldwell & Grobbel, 2013) destacam que a reflexão é um empenho ativo que proporciona uma oportunidade de analisar a prática de enfermagem e identificar novos conhecimentos, especialmente em contextos práticos.

Durante o percurso da minha licenciatura em enfermagem, vivi uma jornada académica rica em experiências e aprendizagens que moldaram profundamente a minha formação. Desde os primeiros dias na ESEnfC até aos ensinos clínicos em cenários desafiadores e diversificados, cada etapa contribuiu para um desenvolvimento significativo e para um sentimento crescente de realização pessoal e profissional. As unidades curriculares teóricas ofereceram uma base sólida de conhecimento científico, enquanto, as práticas clínicas ampliaram a minha compreensão da complexidade e da delicadeza necessária aos cuidados de enfermagem. Este caminho foi repleto de oportunidades, mas também marcado por desafios e momentos de frustração ao enfrentar situações de grande pressão. 

Contudo, ao aproximar-me da conclusão destes quatro anos de formação, reconheço que esta profissão, como ciência humana e prática orientada para a promoção da saúde através do ato de cuidar, adquiri, em um processo transformador, as capacidades necessárias para estabelecer uma compreensão empática e assertiva enquanto futura profissional. Sobretudo, sinto-me preparada para ser uma futura enfermeira resiliente, ponderada e comprometida com o bem-estar das pessoas sob os meus cuidados.

Relativamente às competências atribuídas aos estudantes licenciados pela ESEnfC, foi desenvolvido o Referencial de Competências, o qual fundamentou a estruturação do Plano de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem, conforme estabelecido pelo Despacho nº 2775/2020, de 28 de fevereiro. Este documento incorpora os domínios e competências especificados no Regulamento nº 190/2015, de 23 de abril, que definem o Perfil de Competências do Enfermeiro de Cuidados Gerais.

Como referido, o estudante deve adquirir e desenvolver as seguintes competências e capacidades: A) Gerir conhecimento; B) Gerir recursos operacionais; C) Comprometer-se com o desenvolvimento profissional; D) Conceber e gerir projetos de cuidados; E) Estabelecer uma relação profissional e F) Implementar cuidados autónomos e/ou interdependentes.

Ao refletir sobre as competências mencionadas, tornou-se essencial desenvolver aptidões de pesquisa, colheita e análise de dados, assim como a aquisição e aplicação do conhecimento, com o objetivo de aperfeiçoar a qualidade da minha prática profissional. Essas competências foram aplicadas através da elaboração de trabalhos académicos que exigiram a pesquisa por informações científicas atualizadas. Esse processo promoveu o meu aperfeiçoamento pessoal e profissional, permitindo-me adquirir autonomia na minha formação contínua.

Relativamente à competência "gerir recursos operacionais", foi fundamental desenvolver a capacidade de mobilizar diferentes recursos, abrangendo tanto a delegação de tarefas como a gestão eficaz de materiais e de fatores ambientais. Aprendi a valorizar a otimização do tempo e do conhecimento adquirido, reconhecendo que uma utilização eficiente desses recursos impacta diretamente na qualidade dos cuidados de saúde prestados. Paralelamente, a habilidade de gerir conflitos interpessoais revelou-se indispensável, contribuindo para a manutenção de um ambiente de trabalho colaborativo e positivo. As unidades curriculares de Ética e Deontologia I e II foram fundamentais para aprofundar o conhecimento sobre o quadro legal que orienta a prática profissional, destacando a importância da confidencialidade, do sigilo e de assegurar condições apropriadas e seguras para o exercício da enfermagem.

A terceira competência, "comprometer-se com o desenvolvimento profissional", complementa o que foi mencionado anteriormente na primeira componente, "gerir conhecimento". Ao longo dos anos, a experiência adquirida durante os diversos ensinos clínicos permitiu-me refletir continuadamente sobre as minhas práticas. Esse processo ajudou-me a identificar e corrigir comportamentos menos adequados, promovendo uma melhoria constante na qualidade dos cuidados prestados.

No âmbito da conceção e gestão de projetos de cuidados, a obtenção de informações desempenha um papel crucial na elaboração dos planos de cuidados em enfermagem. Essa etapa é imprescindível para identificar e estabelecer as intervenções mais apropriadas, atendendo às necessidades individuais da pessoa assistida. Além disso, a realização de registos destaca-se como um componente necessária, não apenas para garantir a continuidade dos cuidados, mas também para avaliar a sua eficácia, permitindo a adaptação e melhoria contínua do plano de cuidados.

A competência de "estabelecer uma relação profissional" é de grande relevância. A relação ou comunicação eficaz, é fundamental para promover cuidados de saúde que sejam efetivos e focados nas necessidades da pessoa.

Durante os ensinos clínicos, percebi que estabelecer uma boa relação profissional é indispensável para compreender integralmente as necessidades e expectativas do utente, possibilitando cuidados mais personalizados. Adicionalmente, uma comunicação eficaz, aliada à ausência de preconceitos em relação ao outro, fortalece a confiança recíproca. Esse vínculo é crucial para criar um ambiente favorável à troca de informações relevantes sobre a saúde do utente, o que contribui para a adesão do plano de cuidados.

Entre as diversas funções dos enfermeiros, destaca-se a sua importância na promoção da saúde, prevenção da doença e na educação em saúde. Ao transmitirem informações claras e personalizadas, os mesmos contribuem de forma determinante para a adoção de práticas saudáveis e para a redução de comportamentos de risco, fortalecendo a saúde das comunidades. Além disso, os enfermeiros têm um papel imprescindível nos momentos de transição ao longo da vida das pessoas, auxiliando na adaptação a essas fases marcantes.

De acordo com Bittencourt et al. (2018), a teoria das transições de Meleis oferece aos enfermeiros ferramentas que auxiliam na compreensão dos fatores envolvidos em processos de transição na vida dos indivíduos, contribuindo para a promoção da saúde. De acordo com Meleis et al. (2000), para assegurar que os resultados desejados sejam atingidos, é essencial que o enfermeiro acompanhe todo o processo, fornecendo conhecimento tanto aos indivíduos diretamente envolvidos quanto àqueles ao seu redor, promovendo saúde e bem-estar.

Assim sendo, e direcionando para o contexto do ECIO-II, destaco a relevância das competências de "gerir conhecimento" e "conceber e implementar projetos de cuidados" como fundamentais para o desenvolvimento do Programa Combinado de Exercício Físico e Terapia de Reminiscência e para a elaboração da MCL. Adicionalmente, a competência "estabelecer uma relação profissional" é determinante na criação de um vínculo de confiança com os utentes, proporcionando um ambiente acolhedor e de bem-estar. A competência "gerir recursos operacionais" também assume um papel importante, pois é necessário selecionar recursos adaptados para as necessidades dos utentes e eficazes para garantir o sucesso das intervenções.

No entanto, além destas competências específicas, também aprimorei outros objetivos pessoais ao longo deste EC, entre os quais, aprofundar o domínio da literatura em saúde, como a consolidação dos referenciais teóricos, ampliar o conhecimento em farmacologia, bem como reforçar procedimentos de enfermagem, como a sonda vesical, a aspiração de secreções, a reabilitação, o tratamento à ferida e a comunicação terapêutica. Adicionalmente, desenvolvi competências práticas em áreas onde ainda não tinha tido oportunidade de exercer, nomeadamente a colocação da sonda nasogástrica.

Por fim, ressalto a importância da colaboração em equipa, da interajuda e do compromisso individual, que constituem pilares essenciais para um percurso harmonioso e produtivo.

Estudante: Beatriz Bispo Silva
Trabalho concebido no âmbito do Ensino Clínico Integrador Opcional II, a decorrer na Fundação Ferreira Freire, sob orientação do Professor Alberto José Barata Gonçalves Cavaleiro e tutoria da Enfermeira Diana Fonseca. 
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